Bio
















Comecei a tocar rock em 1993. K7, fanzines de Xerox e cartas conectavam pessoas espalhadas por todo Brasil compartilhando seu interesse por bandas que faziam rock diferente do que as rádios executavam. A banda com quem toquei de 93 à 97, o Barneys, era uma delas. Com eles fiz cerca de 50 apresentações, algumas delas emblemáticas pra mim. Uma delas no Aeroanta em Curitiba me fazendo experimentar uma sensação que se repetiria centenas de vezes nos próximos 18 anos da minha vida: entrar dentro de um ônibus e acordar em outra cidade pra tocar. A outra no Canecâo, mesmo palco onde vi Black Sabath e os Ramones tocarem. Pura Magia.

Os tempos da @ chegaram, um fermento tecnológico que fez as coisas crescerem e acelerarem. Muito. De uma hora pra outra, os 6 meses necessários para se divulgar uma demo k7 se transformaram em poucas semanas para divulgar um cd. Formato este que viria a ser jurado de morte pela desmaterialização da música. Música que viria mais tarde a ser rebaixada ao status de “conteúdo”. Nesta época veloz, formei minha segunda banda, o CARBONA que transformaria minha vida para sempre. Juntos fizemos até aqui 600 apresentações, lançamos 9 discos, fizemos 4 turnês seqüenciais, sendo três delas no Brasil e uma nos EUA e Canadá.

Quando gravamos a primeira demo, navegamos pela primeira vez na internet. Além de mostrar pros amigos da cidade, enviamos pelo correio nossa fita demo para selos de todo mundo. Um deles, a AMP records do Canadá, lançou nosso primeiro disco. Com apenas 6 meses de banda, embarcava num avião rumo aos EUA para cumprir uma agenda de 30 shows e tornar um sonho realidade: de ter uma camiseta de turnê com datas seqüenciais .

De lá pra cá viajei pelos quatro cantos do país. Visitei cidades grandes, pequenas, mínimas. Fizemos o circuito de shows pequenos, médios, mérdios e grande! Me apresentei em Londrina uma vez para uma / 01 garota. Em Brasília para 20.000. Participei de festivais consagrados como Abril Pro Rock, Porão do Rock, Goiânia Noise, Humaitá Pra Peixe e sou grato por isso. Sou grato por ter vivido e continuar vivendo um sonho em vida através da música. Sou grato por conhecer meu país, por experimentar a vida na estrada, onde a rotina é não ter rotina. 25 shows. 30 dias. Isso me mudou para sempre.

Durante essa caminhada aprendi que tudo isso, tudo isso não é nada sem a canção. A música. No final das contas, o que proporciona tudo isso, o que faz tudo acontecer é a força da música. Uma força intensa que me faz seguir tocando. Tenho 35 anos, pouca técnica. Conheço alguns acordes, tenho um vocal questionável e nunca me orgulhei disso. Mas foi esta, a forma que encontrei para fazer o que me faz feliz. Acabei me fascinando pela simplicidade de uma vertente do rock que despertou em mim o desafio de descobrir melodias cativantes em cima de poucos e mesmos acordes e isso me fascina. Melodias grudentas, poucos acordes e uma simplicidade que aprendi um dia nas salas do Rock n´ Roll High School dos mestres Ramones.

Paz e Rock!