11.9.05

Entrevista Atituderock.com

Entrevista para o site www.atituderock.com falando sobre o Cosmicômica novo disco do CARBONA, planos, rock, rock e rock.

Se alguém for procurar pelo título desse novo trabalho do Carbona no dicionário, não encontrará o significado de Cosmicômica. O que esse título quer dizer? Este título foi retirado de um filme, O Anti-Herói Americano. Me identifiquei muito com um dos elementos nele retratados: a dificuldade de um artista em conciliar seu trabalho artístico, que é de grande relevância para uma pequena comunidade, com sua atividade “ganha-pão”, uma profissão chata, sem o menor envolvimento emocional. Quem viu o filme deve se lembrar. Uma das lojas de quadrinhos que aparece no filme se chamava Cosmic Comics, e daí tirei o nome do disco, criando uma palavra chamada Cosmicômica. Se é que existe a necessidade de conceder-lhe um significado, aí vai: a música do Carbona muitas vezes se assemelha a quadrinhos musicados, e ainda um elemento de representação desse conflito entre o trabalho artístico versus atividade de subsistência.

Outro fato curioso é o disco ser batizado com uma faixa instrumental, algo incomum para bandas de punk bubblegum. Por que essa opção? O Melvin fez essa faixa instrumental, a segunda registrada por nós em discos, e quando a gente ouviu a gente adorou. Embora instrumental, ali estão todos os elementos trabalhados por nós em nossas músicas. Bases simples mais frases melódicas na guitarra que podem se dizer “grudentas” . O nome do disco já não tinha um significado concreto e achamos que a música instrumental contribuiria para uma coisa legal que é cada um ficar pensando nisso e criar várias versões para o disco.

Particularmente, enxergo um link entre a última faixa do Taito Não Engole Fichas, disco anterior, “O Mundo Sem Joey”, e “Eu Sonhei Com Elvis Ontem à Noite”, a primeira desse. Estou certo dentro dessa minha ótica?Olha (risos), jamais diria certo ou errado. Acho muito legal saber que as músicas que a gente grava faz as pessoas viajarem e fazerem este tipo de conexão. Eu sinceramente nunca tinha pensado nisso, mas acho legal que você tenha enxergado ali uma conexão.

Antes de Cosmicômica sair, algumas faixas forma divulgadas no Trama Virtual como se fossem parte de um trabalho solo teu, mas acabaram entrando no repertório do Carbona. Tu estavas testando a popularidade delas sem imprimir a marca Carbona para saber como funcionariam?Sabe quando amigos te ligam chamando pra levar um som? Eu tenho o péssimo hábito de só tocar violão pra compor e guitarra pra ensaiar com o Carbona. Portanto, quando vou levar som com amigos, a única forma d’eu participar (risos) é levando canções e tocando com a galera. Me juntei um dia com o Marcio, ex-batera do Rivets, e com o Bjorn da banda GO, fizemos um som e curtimos muito as músicas. Pensei, por que não gravá-las? Assim fizemos, coloquei no tramavirtual sem nenhum objetivo direto, a não ser o de disponibilizar pra “galera” o som que tinha feito com amigos. A partir daí muita gente escreveu pedindo pra gravar as músicas com o Carbona. O Melvin e o Pedro curtiram as músicas e falaram vamos gravar isso! E assim fizemos!

Quem é Luiza Denizot, homenageada numa das faixas do cd? Luiza Denizot era uma garota forte, incontrolável e obcecada pela idéia de vencer (risos).

“Fliperama”, do Taito, ganhou uma belíssima versão em vídeo. Alguma faixa de Cosmicômica também vai virar clipe? Sim, estaremos filmando na última semana de agosto o clipe de Eu Quero ir Pro Japão. E possibilidades de um segundo vídeo clipe do disco. Mas de concreto temos “Japão”. Estamos participando de um projeto bacana aqui no Rio que envolve a música tema de um curta chamado “Eu, Você e seu Husky Siberiano” . Um conto adolescente que narra a “primeira vez” de um “muleke”. Fizemos a música (por acaso vamos acabar a mixagem hoje) e no dia 20 de agosto estamos filmando uma ponta no filme que depois será editado num formato de vídeo clipe. Portanto teremos mais este projeto em vídeo disponibilizado ainda esse ano.

“Dançando The Doors Com Garotas Ao Redoors” é bem diferente de tudo aquilo que o Carbona já fez. Por que gravar uma música com essa sonoridade, que destoa do restante do álbum?Porque somos fãs do Kaly, admiramos muito o trabalho dele com a sua banda Stuart, e nos orgulhamos da vontade dele de participar e contribuir nos nossos discos. Ele já havia nos presenteado com “O mundo sem joey” no Taito, e agora ele nos enviou “Dançando the Doors com garotas ao redoors” que relata uma noitada pós-show que fizemos juntos em Floripa. Acho que num disco de 19 músicas existe espaço pra isso! A música nem era pra ser tão diferente. Foi gravada inicialmente como violão e voz e durante as gravações o Kaly apareceu lá no estúdio, pois estava tocando com o Stuart no Rio e aí a gente começou a “pirar”, o Zé Felipe que estava nos gravando começou a entrar na onda e quando a gente viu a música virou uma espécie de cantiga hippie, uma grande curtição! Neste dia o Pedro e Melvin não estavam no estúdio e eles me perguntaram: “gravou com o Kaly?” Eu disse sim, (risos), mas vocês precisam ouvir no que deu... eles ouviram, e acharam aquilo um grande barato. Assim colocamos a música no disco. É difícil o Carbona ficar um ano sem gravar ou lançar algo.

Qual é o motivo dessa hiperatividade? Eu gosto muito de compor. Muito mesmo. Eu ando na rua, vejo filmes, eu vivo sempre muito aberto a idéias. Minhas músicas geralmente são estórias musicadas e às vezes vejo algo ou até mesmo conversando com alguém, vem uma espécie de sinal, “ei cara, isso dá uma boa música”! Além disso, nós somos fãs de Queers, Screeching Weasel e Ramones. Bandas que trilharam o mesmo caminho, que lançam muita coisa. Eu como fã fico muito feliz a cada disco que uma dessas bandas lançam ou até mesmo a cada inédita que eles gravam. Fico feliz quando sei que vou ouvir algo inédito dos Muzzarellas, dos Magaivers, dos Zumbis do Espaço. E de uma certa forma acredito que os fãs de Carbona também devem curtir. E isso já é o suficiente pra gente se mobilizar e gravar! É um grande barato, é o que a gente gosta de fazer. Não achamos que isso é bom ou ruim. Quantidade não é mérito e nem achamos que existe modelo certo de trabalho. Até aqui foi assim.

Antigamente, vocês estiveram fazendo shows no Canadá. Tu achas que seria viável e a banda teria boa aceitação no caso de uma nova turnê por um país de língua inglesa, agora que a banda canta em português? A gente não tem planos no momento de voltar pro exterior. Estamos 100% focados no trabalho feito aqui no Brasil. Todo tempo e recurso da banda está voltado pra isso. Mas acredito que não há grandes barreiras pra idiomas na música e principalmente no rock alternativo. E pra ser sincero, acho não entendiam uma só palavra do que eu cantava na época (risos).

Desde o trabalho anterior, a banda tem colocado mulheres na capa, sendo que o resultado tem ficado ótimo. Pretendem manter a presença feminina na capa dos próximos trabalhos? Não sei... confesso que já pensei sobre isso! Com certeza as garotas da capa são sensacionais, mas é cedo pra dizer como seria a capa do nosso próximo disco. Eu gosto muito da capa to Taito e do Cosmicômica.

Pela qualidade e extensão de sua discografia, o Carbona já poderia ter lançado uma coletânea. Cd ao vivo já existe, e compilação dos melhores momentos de todas as fases da banda, temos alguma chance de ver sair?A gente tem muita vontade de fazer isso com o material em inglês. Fazer um disco regravado com as melhores dos discos em inglês. De repente escolhida por votação da galera. Mas a idéia seria regravar.

Esse ano rolou a segunda Chicletour. E pro ano que vem, pretendem reprisar essa série de shows de grande sucesso e repercussão nacional? Sim, a gente pretende fazer uma nova turnê! Não sei se uma terceira edição da Chicletour, ou em algum outro formato. Mas em março de 2006 estaremos voltando pra estrada para realizar uma grande turnê.

Fique ligado!
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